Falcoaria no Aeroporto de Vitória

A segurança aérea é uma prioridade absoluta em qualquer aeroporto do mundo. Uma das maiores ameaças para a aviação é o chamado bird strike, que ocorre quando aeronaves colidem com aves durante o voo ou nas manobras de pouso e decolagem. Felizmente, diversas estratégias são utilizadas para minimizar esses incidentes, e uma das mais eficazes vem do uso surpreendente de gaviões treinados.

No Aeroporto de Vitória, no Espírito Santo, um trio de gaviões, composto por Osco, Shiluba e Pan, está revolucionando o controle de fauna e a prevenção de colisões entre aves e aeronaves. Sob os cuidados de uma equipe especializada, essas aves se tornaram verdadeiros protetores dos céus, garantindo que o espaço aéreo permaneça seguro para pousos e decolagens.

O Papel dos Gaviões no Controle de Fauna

A utilização de gaviões para o controle de aves em aeroportos não é uma novidade, mas a eficácia desse método é impressionante. Os gaviões do Aeroporto de Vitória fazem parte de uma iniciativa que já conseguiu reduzir em 51% o índice de colisões entre aves e aviões nos últimos dois anos.

A técnica utilizada é conhecida como falcoaria, que consiste no treinamento e manejo de aves de rapina para diversas finalidades, incluindo o afugentamento de outros pássaros que podem representar risco para a aviação. No caso do Aeroporto de Vitória, os gaviões da espécie asa-de-telha foram escolhidos por sua capacidade de cobrir grandes áreas e afugentar uma variedade ampla de aves, como quero-queros e garças.

A Rotina Rigorosa dos Gaviões Protetores

O trabalho desses gaviões não é simples. Eles seguem uma rotina diária rigorosa que envolve:

  • Controle de Peso e Alimentação: Os gaviões voam de acordo com o seu peso, o que influencia diretamente no humor e na eficiência do voo. Para garantir o melhor desempenho, os profissionais monitoram diariamente o peso das aves.
  • Rondas Diárias: Cada gavião é designado para um turno específico. O Pan, o mais jovem do grupo, com apenas um ano de idade, realiza as rondas pela manhã. Durante a tarde, é a vez do Shiluba, que tem oito anos, enquanto o Osco, o mais velho, com 14 anos, assume o turno da noite.
  • Treinamento Contínuo: Além das rondas, os gaviões são submetidos a treinamentos específicos que aprimoram suas habilidades de voo e aumentam sua eficiência no trabalho.

Essa rotina é essencial para garantir que as aves estejam sempre prontas para realizar seu trabalho de maneira eficaz e segura.

A Estratégia da Ecologia do Medo

O método utilizado pelos gaviões para afastar outras aves é conhecido como ecologia do medo. Quando um gavião sobrevoa uma área, sua presença natural de predador desencadeia um alerta entre as demais aves, fazendo com que elas se afastem da região.

Segundo o biólogo Felipe Furtado, responsável pelo controle ambiental do aeroporto, o objetivo não é caçar os outros animais, mas sim afugentá-los. Quando uma captura acidental ocorre, o gavião é treinado para esperar a chegada da equipe e trocar a presa por um alimento.

Eficiência Comprovada e Prática Sustentável

A escolha dos gaviões asa-de-telha não foi aleatória. Segundo Furtado, é uma espécie comum no Brasil e com grande capacidade de capturar diferentes tipos de presas, desde pequenos pássaros até garças. Essa versatilidade permite que a segurança do aeroporto seja garantida mesmo em um ambiente cercado por áreas verdes e rico em vida silvestre.

De acordo com dados do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os birds strikes são os incidentes mais frequentes na aviação brasileira. Em 2024, foram registradas 875 colisões com pássaros em todo o país. Os estados mais afetados foram São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Bahia e Santa Catarina. Felizmente, nenhum desses casos ocorreu no Espírito Santo, evidenciando a eficácia do trabalho realizado pelo Aeroporto de Vitória.

Além dos Gaviões: Outras Técnicas de Controle de Fauna

Embora a falcoaria seja responsável por 95% do controle de fauna no Aeroporto de Vitória, outras estratégias também são empregadas, como rondas constantes e uso de armadilhas de afugentamento. Esses métodos visam garantir que animais como capivaras e até caranguejos, que já causaram incidentes na pista de pouso, sejam retirados do local com segurança.

A abordagem é 100% preventiva e sustentável, já que o foco é proteger tanto as aeronaves quanto a fauna local, evitando capturas desnecessárias e garantindo que o ecossistema da região continue intacto.

Resultados e Impactos da Utilização dos Gaviões no Aeroporto de Vitória

A eficácia do trabalho desempenhado por Osco, Shiluba e Pan vai além da simples redução do número de colisões com aves. A iniciativa também reflete um compromisso com a preservação ambiental e a sustentabilidade, uma vez que a falcoaria permite o controle de fauna sem causar danos aos animais que frequentam a área do aeroporto.

Essa abordagem cuidadosa é parte fundamental da estratégia adotada pela Zurich Airport Brasil, empresa responsável pela administração do Aeroporto de Vitória. Ao evitar que aves e outros animais entrem em contato com aeronaves, o método contribui para a segurança operacional e também para a preservação da vida silvestre local.

A Falcoaria e Seus Benefícios Sustentáveis

A utilização de aves de rapina treinadas é uma prática que se mostra vantajosa em diversos aspectos:

  1. Método Natural e Ecológico: Ao invés de eliminar as aves presentes na área, os gaviões as afastam através da presença de um predador natural.
  2. Preservação da Vida Selvagem: O controle é feito de forma a garantir que a fauna local seja protegida. Quando os gaviões capturam uma presa acidentalmente, a equipe faz a troca por alimento, evitando a morte do animal.
  3. Redução Significativa de Incidentes: A diminuição de 51% nos bird strikes mostra que o método é eficiente e que os treinamentos constantes dos gaviões são fundamentais para o sucesso do programa.
  4. Versatilidade e Adaptabilidade: Diferentes espécies de aves de rapina podem ser treinadas para se adequar às necessidades específicas de cada aeroporto.

O Processo de Treinamento dos Gaviões

O treinamento dos gaviões utilizados no Aeroporto de Vitória é um processo rigoroso e contínuo. Os profissionais da área explicam que o sucesso desse método depende de uma série de fatores:

  • Escolha Adequada das Aves: A espécie asa-de-telha é ideal para o Aeroporto de Vitória devido à sua versatilidade e capacidade de cobrir grandes áreas.
  • Condicionamento Físico: Assim como atletas, os gaviões precisam estar com a musculatura preparada para realizar voos longos e eficientes.
  • Controle de Peso e Alimentação: O peso dos gaviões é constantemente monitorado para garantir que eles estejam nas condições ideais para o trabalho.
  • Sistema de Recompensas: As aves são recompensadas com alimento ao final de cada ronda bem-sucedida, mantendo-as motivadas e bem-dispostas para o próximo trabalho.

Desafios e Perspectivas para o Futuro

Embora o método esteja funcionando de maneira exemplar no Aeroporto de Vitória, existem desafios que precisam ser constantemente enfrentados:

  1. Monitoramento Contínuo: Como as espécies de aves que frequentam o aeroporto podem variar, é necessário atualizar constantemente o plano de ação.
  2. Treinamento Constante: Os gaviões precisam ser treinados regularmente para manterem suas habilidades afiadas e seus reflexos apurados.
  3. Adaptação a Novas Ameaças: Embora o foco principal sejam as aves, outros animais como capivaras e até caranguejos já causaram incidentes no local.

Apesar dos desafios, a iniciativa é considerada um modelo de sucesso que pode ser replicado em outros aeroportos brasileiros e até mesmo internacionais.

Casos de Sucesso e Dados Relevantes

A atuação dos gaviões no Aeroporto de Vitória é parte de um esforço global para reduzir acidentes envolvendo fauna e aviação. Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), os birds strikes são os incidentes mais comuns na aviação civil, e o uso de aves de rapina treinadas está se tornando uma prática cada vez mais comum.

Em 2024, ocorreram 875 colisões de aeronaves com pássaros no Brasil, sendo que os estados mais afetados foram:

  • São Paulo: 130 ocorrências;
  • Rio de Janeiro: 79 ocorrências;
  • Rio Grande do Sul: 70 ocorrências;
  • Bahia: 68 ocorrências;
  • Santa Catarina: 65 ocorrências.

O Espírito Santo, graças à atuação dos gaviões e de outras estratégias de controle de fauna, não registrou nenhum incidente desse tipo.

Por que o Aeroporto de Vitória é um Exemplo a Ser Seguido?

A iniciativa de utilizar gaviões treinados para o controle de fauna é um verdadeiro exemplo de inovação e comprometimento com a segurança operacional e a preservação ambiental. A utilização da falcoaria como método principal de prevenção de bird strikes mostra que é possível integrar práticas sustentáveis e eficazes em um ambiente tão dinâmico e desafiador quanto o aeroporto.

Além disso, o Aeroporto de Vitória demonstra que a colaboração entre biólogos, veterinários e auxiliares de campo é essencial para o sucesso do programa. A equipe é composta por dez profissionais dedicados, que trabalham diariamente para garantir que os céus estejam seguros para todos.

Conclusão

O uso de gaviões treinados no Aeroporto de Vitória é um exemplo claro de como a inovação, o cuidado com o meio ambiente e a segurança operacional podem caminhar lado a lado. Através da falcoaria, é possível garantir que o número de colisões entre aves e aeronaves seja drasticamente reduzido, preservando vidas humanas e também a fauna local.

Esse método, comprovadamente eficaz, mostra que a natureza pode ser aliada da tecnologia quando as estratégias são bem pensadas e executadas com responsabilidade. Além disso, iniciativas como essa reforçam a importância de se investir em soluções sustentáveis que possam ser aplicadas em outros aeroportos do país e do mundo.

Para saber mais detalhes sobre essa incrível estratégia de segurança aérea, confira a matéria completa no G1.

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